SÃO PAULO - A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou ontem a liberação comercial de uma levedura transgênica que permite a produção de diesel usando a cana-de-açúcar. É a primeira vez que um transgênico desse tipo é aprovado pela comissão.
A levedura é um fungo, amplamente usado na produção de vinhos, cachaça e fermento de pão. A espécie aprovada teve seu DNA modificado, o que a torna agora capaz de produzir um precursor do diesel, o farneseno.
Em sua primeira reunião plenária após a mudança do comando, o órgão também aprovou o uso comercial de duas espécies de soja modificada, resistentes ao agrotóxico glufosinato de amônio. As sojas foram produzidas pela Bayer. Também houve a liberação de duas vacinas veterinárias transgênicas. Com isso, sobe para oito o número de vacinas aprovadas para liberação comercial pela comissão, formada por 27 integrantes. A reunião de ontem foi conduzida pelo novo presidente do colegiado, o pesquisador da Embrapa Edilson Paiva.
Com o sinal verde da CTNBio, a Usina Boa Vista, instalada na cidade goiana de Pirenópolis, deve concluir a construção de uma linha de produção de diesel feito da cana. A expectativa é que, em 2011, sejam fabricados 2 milhões de toneladas do produto, que, a exemplo do etanol, é menos agressivo ao meio ambiente do que o combustível fóssil. A aprovação também deve acelerar a negociação com outras usinas interessadas no desenvolvimento do novo produto. Até agora, nenhum país no mundo produz comercialmente o diesel de cana. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: O Estadão
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Coca adota garrafa com plástico de cana-de-açúcar
Chris Herring
The Wall Street Journal
Diante das críticas de ambientalistas ao uso de garrafas plásticas, a Coca-Cola Co. lançou uma nova embalagem parcialmente fabricada a partir de plantas. O vasilhame tem “o mesmo peso, mesmo aspecto e química, e funciona exatamente da mesma maneira” que uma garrafa de plástico normal, diz uma porta-voz da Coca.
A Coca não é a única fabricante de bebidas que está tentando reduzir sua pegada de carbono. A concorrente PepsiCo. Inc. lançou recentemente um saquinho biodegradável feito de plantas para os salgadinhos SunChips. Mas a Coca é a maior fabricante mundial do setor e o presidente da empresa, Muhtar Kent, diz que a nova garrafa, que usa material derivado da cana-de-açúcar, é “a primeira geração da garrafa do futuro”.
A Coke lançou sua “plantbottle”, ou garrafa-planta, na Conferência sobre Mudança do Clima em Copenhague, no mês passado, e planeja promovê-la mais no mês que vem na Olimpíada de Inverno de Vancouver. “Pesquisas preliminares” mostram que a nova embalagem deixa uma pegada de carbono menor que as garrafas de plástico, alega a Coca.
As garrafas plásticas são produzidas com tereftalato de polietileno, mais conhecido como pet, derivado do petróleo, um recurso não-renovável. A produção de garrafas plásticas para consumo de bebidas em 2006 nos Estados Unidos demandou o equivalente a mais de 17 milhões de barris de petróleo, segundo o centro de pesquisas ambientais Pacific Institute, da Califórnia.
A nova garrafa feita a partir de material vegetal desenvolvida pela Coca usa 70% petróleo e 30% materiais à base de cana-de-açúcar. A cana é moída para produzir suco, que é fermentado e destilado em etanol. Esse etanol é, por sua vez, convertido por uma série de processos químicos, como a oxidação, para monoetilenoglicol – o derivado do petróleo que é normalmente usada para fabricar garrafas. O monoetilenoglicol é misturado ao ácido tereftálico para criar o plástico pet.
A empresa começou a vender a Coca-Cola (inclusive suas variações Light e Zero) na Dinamarca nas novas garrafas pouco antes da conferência da ONU sobre o clima. Como a Olimpíada de Inverno começa a 12 de fevereiro, a empresa lançou a garrafa-planta com a água filtrada Dasani na costa noroeste dos EUA e no oeste do Canadá. A Coca afirma que pretende vender mundialmente 2 bilhões das novas garrafas até o fim de 2010.
A Coca já requisitou e financiou uma análise do Imperial College London que comparou o “ciclo de vida” da nova garrafa ao de uma garrafa comum, para determinar se há diferença no impacto sobre o meio ambiente, disse Scott Vitters, diretor de embalagem sustentável da empresa. Ele diz que o estudo descobriu que a produção da garrafa-planta deixa uma pegada de carbono 12% a 19% menor que a da garrafa normal.
A empresa aguarda agora a verificação dos resultados por terceiros, acrescenta Vitters.
Grupos ambientalistas afirmam que a garrafa que a Coca está lançando é um pouco melhor que as garrafas normais de pet, mas dizem que ainda não resolve o problema maior das embalagens plásticas: o fato de que a maioria das pessoas não as recicla.
Apenas 27% dos vasilhames de pet foram reciclados nos EUA em 2008, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Garrafas Pet. A nova garrafa é “definitivamente algo positivo, mas não é algo que me faz pular de alegria”, diz Susan Collins, diretora executiva do Instituto de Reciclagem de Embalagens.
E alguns concorrentes questionam a avaliação da Coca sobre o efeito da nova garrafa no meio ambiente. “É um primeiro passo admirável da Coca”, diz Andrius Dapkus, diretor de inovação e renovação da Nestlé Waters North America Inc., divisão de água engarrafada da suíça Nestlé SA. “Mas do jeito que está agora, ainda não sabemos se o impacto ambiental da ´plantbottle´ é melhor, pior ou igual” ao da garrafa à base de petróleo.
Em vez de mudar os ingredientes, a Nestlé continua a reduzir a quantidade de plástico nas garrafas, uma estratégia que a Coca e a PepsiCo também usam. A Nestlé planeja lançar nos próximos meses uma nova versão mais leve de sua garrafa EcoShape, que usa 9,3 gramas de pet, 25% a menos que a versão mais recente.
Fonte: The Wall Street Journal – USA
The Wall Street Journal
Diante das críticas de ambientalistas ao uso de garrafas plásticas, a Coca-Cola Co. lançou uma nova embalagem parcialmente fabricada a partir de plantas. O vasilhame tem “o mesmo peso, mesmo aspecto e química, e funciona exatamente da mesma maneira” que uma garrafa de plástico normal, diz uma porta-voz da Coca.
A Coca não é a única fabricante de bebidas que está tentando reduzir sua pegada de carbono. A concorrente PepsiCo. Inc. lançou recentemente um saquinho biodegradável feito de plantas para os salgadinhos SunChips. Mas a Coca é a maior fabricante mundial do setor e o presidente da empresa, Muhtar Kent, diz que a nova garrafa, que usa material derivado da cana-de-açúcar, é “a primeira geração da garrafa do futuro”.
A Coke lançou sua “plantbottle”, ou garrafa-planta, na Conferência sobre Mudança do Clima em Copenhague, no mês passado, e planeja promovê-la mais no mês que vem na Olimpíada de Inverno de Vancouver. “Pesquisas preliminares” mostram que a nova embalagem deixa uma pegada de carbono menor que as garrafas de plástico, alega a Coca.
As garrafas plásticas são produzidas com tereftalato de polietileno, mais conhecido como pet, derivado do petróleo, um recurso não-renovável. A produção de garrafas plásticas para consumo de bebidas em 2006 nos Estados Unidos demandou o equivalente a mais de 17 milhões de barris de petróleo, segundo o centro de pesquisas ambientais Pacific Institute, da Califórnia.
A nova garrafa feita a partir de material vegetal desenvolvida pela Coca usa 70% petróleo e 30% materiais à base de cana-de-açúcar. A cana é moída para produzir suco, que é fermentado e destilado em etanol. Esse etanol é, por sua vez, convertido por uma série de processos químicos, como a oxidação, para monoetilenoglicol – o derivado do petróleo que é normalmente usada para fabricar garrafas. O monoetilenoglicol é misturado ao ácido tereftálico para criar o plástico pet.
A empresa começou a vender a Coca-Cola (inclusive suas variações Light e Zero) na Dinamarca nas novas garrafas pouco antes da conferência da ONU sobre o clima. Como a Olimpíada de Inverno começa a 12 de fevereiro, a empresa lançou a garrafa-planta com a água filtrada Dasani na costa noroeste dos EUA e no oeste do Canadá. A Coca afirma que pretende vender mundialmente 2 bilhões das novas garrafas até o fim de 2010.
A Coca já requisitou e financiou uma análise do Imperial College London que comparou o “ciclo de vida” da nova garrafa ao de uma garrafa comum, para determinar se há diferença no impacto sobre o meio ambiente, disse Scott Vitters, diretor de embalagem sustentável da empresa. Ele diz que o estudo descobriu que a produção da garrafa-planta deixa uma pegada de carbono 12% a 19% menor que a da garrafa normal.
A empresa aguarda agora a verificação dos resultados por terceiros, acrescenta Vitters.
Grupos ambientalistas afirmam que a garrafa que a Coca está lançando é um pouco melhor que as garrafas normais de pet, mas dizem que ainda não resolve o problema maior das embalagens plásticas: o fato de que a maioria das pessoas não as recicla.
Apenas 27% dos vasilhames de pet foram reciclados nos EUA em 2008, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Garrafas Pet. A nova garrafa é “definitivamente algo positivo, mas não é algo que me faz pular de alegria”, diz Susan Collins, diretora executiva do Instituto de Reciclagem de Embalagens.
E alguns concorrentes questionam a avaliação da Coca sobre o efeito da nova garrafa no meio ambiente. “É um primeiro passo admirável da Coca”, diz Andrius Dapkus, diretor de inovação e renovação da Nestlé Waters North America Inc., divisão de água engarrafada da suíça Nestlé SA. “Mas do jeito que está agora, ainda não sabemos se o impacto ambiental da ´plantbottle´ é melhor, pior ou igual” ao da garrafa à base de petróleo.
Em vez de mudar os ingredientes, a Nestlé continua a reduzir a quantidade de plástico nas garrafas, uma estratégia que a Coca e a PepsiCo também usam. A Nestlé planeja lançar nos próximos meses uma nova versão mais leve de sua garrafa EcoShape, que usa 9,3 gramas de pet, 25% a menos que a versão mais recente.
Fonte: The Wall Street Journal – USA
Cientistas descobrem linguagem avançada em roedor nos EUA
Matt Walker
BBC Earth News
A espécie desenvolveu uma linguagem complexa, diz o pesquisador (Foto do documentário 'Prairie dogs, talk of the town', exibido pela BBC2)
Um pequeno roedor pode ter a linguagem mais sofisticada do mundo animal.
A afirmação é do acadêmico Con Slobodchikoff, que trabalha nos Estados Unidos e vem estudando há muito tempo o repertório vocal do chamado cão-da-pradaria-de-cauda-curta (Cynomys gunnisoni).
Com um único latido, diz o cientista, um animal pode alertar sobre o tipo e direção de um predador oculto e até descrever a cor.
Se a descoberta for confirmada, isso significa que estes roedores comunicam-se de uma maneira mais complexa até do que macacos e golfinhos.
Slobodchikoff dá detalhes das experiências que fez para revelar a estrutura oculta da linguagem do animal em um documentário exibido pela BBC.
O cão-da-pradaria-de-cauda-curta pertence à família dos esquilos e vive no norte dos Estados de Arizona, Novo México e sul do Colorado.
No passado, havia uma população de bilhões mas são considerados por fazendeiros como uma praga e seu número diminuiu acentuadamente.
Mas os animais ainda existentes vivem em colônias de centenas de indivíduos e cavam uma complexa rede de tocas subterrâneas.
Quando um predador se aproxima, os pequenos roedores emitem uma série de ruídos.
Durante 30 anos, Slobodchikoff e seus colegas gravaram estes sons.
Para analisá-los, os cientistas realizaram várias experiências, apresentando modelos diferentes de predadores e gravando a resposta diante de coiotes, falcões e texugos.
'Palavras diferentes'
Os pesquisadores descobriram que os cães-da-pradaria enfrentam tantos predadores que desenvolveram "palavras" diferentes para qualificá-los.
Estas palavras são latidos e sons que contém números diferentes de vocalizações rítmicas e modulações de frequência.
Os cães-da-pradaria têm qualidades tonais diferentes, assim como vozes humanas, mas diferentes roedores usam as mesmas palavras para descrever os mesmos predadores, permitindo que o alarme seja entendido pelo resto da colônia.
Um único latido, por exemplo, pode dizer "coiote algo, magro ao longe, movendo-se rapidamente em direção à colônia".
Outros cientistas contestaram esta ideia pois significaria que, apenas com um latido breve, os cães-da-pradaria transmitem informações sobre tamanho, cor, direção e velocidade do deslocamento de um predador.
A equipe de Slobodchikoff acredita que os cães-da-pradaria incluem esta informação ao variar a modulação do chamado e a harmonia do latido.
Ao fazer isso, eles podem incluir uma vasta quandidade de informações em um som muito breve.
"Cães-da-pradaria têm a linguagem natural mais complexa decodificada até agora. Eles têm palavras para diferentes predadores, eles têm palavras para descrever as características individuais de predadores diferentes, por isso é uma língua muito complexa, que tem muitos elementos", dissse Slobodchikoff.
No documentário, os cientistas registraram o primeiro chamado dos cães-da-pradaria "para alertar sobre texugos".
É sutil, mas sempre diferente de todas as outras chamadas.
Quando o alarme é reproduzido para uma colônia de roedores, eles reagem de forma diferente em relação a quando o aviso é sobre coiotes.
Coiotes caçam de surpresa, então os roedores respondem fugindo instantaneamente. Texugos tentam cavar tocas e, quando os cães-da-pradaria são avisados sobre um texugo, ficam vigilantes.
Slobodchikoff acredita que os cães-da-pradaria podem ter evoluído esta linguagem complexa porque vivem em uma sociedade complexa alojada em um sistema de tocas complexo.
Eles vivem em "cidades" bem organizadas com centenas de indivíduos e também têm que competir com posseiros, como coelhos, cobras, tarântulas, corujas, texugos e raposas que, muitas vezes, entram em suas tocas.
Fonte: BBC Brasil
BBC Earth News
Um pequeno roedor pode ter a linguagem mais sofisticada do mundo animal.
A afirmação é do acadêmico Con Slobodchikoff, que trabalha nos Estados Unidos e vem estudando há muito tempo o repertório vocal do chamado cão-da-pradaria-de-cauda-curta (Cynomys gunnisoni).
Com um único latido, diz o cientista, um animal pode alertar sobre o tipo e direção de um predador oculto e até descrever a cor.
Se a descoberta for confirmada, isso significa que estes roedores comunicam-se de uma maneira mais complexa até do que macacos e golfinhos.
Slobodchikoff dá detalhes das experiências que fez para revelar a estrutura oculta da linguagem do animal em um documentário exibido pela BBC.
O cão-da-pradaria-de-cauda-curta pertence à família dos esquilos e vive no norte dos Estados de Arizona, Novo México e sul do Colorado.
No passado, havia uma população de bilhões mas são considerados por fazendeiros como uma praga e seu número diminuiu acentuadamente.
Mas os animais ainda existentes vivem em colônias de centenas de indivíduos e cavam uma complexa rede de tocas subterrâneas.
Quando um predador se aproxima, os pequenos roedores emitem uma série de ruídos.
Durante 30 anos, Slobodchikoff e seus colegas gravaram estes sons.
Para analisá-los, os cientistas realizaram várias experiências, apresentando modelos diferentes de predadores e gravando a resposta diante de coiotes, falcões e texugos.
'Palavras diferentes'
Os pesquisadores descobriram que os cães-da-pradaria enfrentam tantos predadores que desenvolveram "palavras" diferentes para qualificá-los.
Estas palavras são latidos e sons que contém números diferentes de vocalizações rítmicas e modulações de frequência.
Os cães-da-pradaria têm qualidades tonais diferentes, assim como vozes humanas, mas diferentes roedores usam as mesmas palavras para descrever os mesmos predadores, permitindo que o alarme seja entendido pelo resto da colônia.
Um único latido, por exemplo, pode dizer "coiote algo, magro ao longe, movendo-se rapidamente em direção à colônia".
Outros cientistas contestaram esta ideia pois significaria que, apenas com um latido breve, os cães-da-pradaria transmitem informações sobre tamanho, cor, direção e velocidade do deslocamento de um predador.
A equipe de Slobodchikoff acredita que os cães-da-pradaria incluem esta informação ao variar a modulação do chamado e a harmonia do latido.
Ao fazer isso, eles podem incluir uma vasta quandidade de informações em um som muito breve.
"Cães-da-pradaria têm a linguagem natural mais complexa decodificada até agora. Eles têm palavras para diferentes predadores, eles têm palavras para descrever as características individuais de predadores diferentes, por isso é uma língua muito complexa, que tem muitos elementos", dissse Slobodchikoff.
No documentário, os cientistas registraram o primeiro chamado dos cães-da-pradaria "para alertar sobre texugos".
É sutil, mas sempre diferente de todas as outras chamadas.
Quando o alarme é reproduzido para uma colônia de roedores, eles reagem de forma diferente em relação a quando o aviso é sobre coiotes.
Coiotes caçam de surpresa, então os roedores respondem fugindo instantaneamente. Texugos tentam cavar tocas e, quando os cães-da-pradaria são avisados sobre um texugo, ficam vigilantes.
Slobodchikoff acredita que os cães-da-pradaria podem ter evoluído esta linguagem complexa porque vivem em uma sociedade complexa alojada em um sistema de tocas complexo.
Eles vivem em "cidades" bem organizadas com centenas de indivíduos e também têm que competir com posseiros, como coelhos, cobras, tarântulas, corujas, texugos e raposas que, muitas vezes, entram em suas tocas.
Fonte: BBC Brasil
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Sobre sangue, café, óleo e... coletes à prova de bala
Sobre sangue, café, óleo e... coletes à prova de bala
(foto: flickr.com/dsugden - CC BY-NC-SA 2.0)
Hábitos comuns do cotidiano – como passar a água quente pelo filtro de papel para fazer um café – envolvem um tipo de física complexa, com aplicações práticas que vão da produção de coletes à prova de bala a processos cruciais para a indústria de grande porte, como a de petróleo. Uma contribuição importante para o entendimento desses fenômenos, relacionados à passagem de um líquido por um meio poroso, foi dada agora por um grupo de pesquisadores brasileiros e suíços. O artigo foi capa da prestigiosa Physical Review Letters (v. 103, p. 194502, 2009).
Passar um líquido através de um material poroso é um ato que faz parte de nosso cotidiano. Por exemplo, fazemos isso quando queremos filtrar algo, como nosso bom cafezinho. Outra observação do dia a dia: geralmente, quanto mais ‘grosso’ (mais viscoso) o líquido, mais difícil sua passagem pelo material poroso. Se colocarmos a mesma quantidade de areia em dois coadores de chá e adicionarmos ao primeiro água e ao segundo óleo, qual desses líquidos atravessará mais rapidamente a areia?
Quanto mais viscoso o líquido, mais difícil sua passagem por um material poroso
Resposta: a água.
Essa ‘velocidade’ estará relacionada com vários fatores: o tamanho do caminho percorrido pelo líquido; sua viscosidade; o tamanho dos grãos de areia; e como estes últimos estão arranjados (ou seja, se estão mais ou menos compactados).
Existem vários problemas de natureza prática em que situações similares ocorrem: da passagem do sangue pelo rim até o fluxo de óleo através de rochas porosas, como se dá no caso do xisto betuminoso (rochas porosas contendo óleo, encontradas em São Mateus do Sul, no Paraná). Essas situações estão relacionadas com problemas básicos ligados aos efeitos que os meios porosos tridimensionalmente desordenados (que não apresentam homogeneidade dos poros, como rochas, tecidos humanos e filtros) causam no comportamento do fluxo de diferentes líquidos quando estes os atravessam.
De fato, essa situação leva a uma divisão dos fluidos em newtonianos e não newtonianos. De forma bastante simplificada, os primeiros são aqueles em que a deformação do fluido é proporcional a um tipo de força com características especiais que o meio poroso aplica sobre o líquido que o atravessa. Essa força é denominada tensão de cisalhamento, e nela as forças são geralmente paralelas, mas agem em sentidos opostos. Estamos acostumados a lidar diariamente com vários fluidos newtonianos: água, óleo, ar etc.
Nos fluidos não newtonianos, as coisas se passam de maneira muito mais complexa: na presença de uma tensão de cisalhamento, ocorre deformação (caso da lama gerada em uma perfuração), mas também pode aumentar a viscosidade do fluido (caso da maizena em água) ou diminuí-la (molho de tomate). Resumindo: para os fluidos não newtonianos, usa-se o termo reologia (estudo do fluxo) para designar os estudos relacionados com a viscosidade, elasticidade, plasticidade e o escoamento da matéria.
Modelagem e simulação computacional
Em artigo recém-publicado, pesquisadores do Departamento de Física da Universidade Federal do Ceará e colegas suíços viram nessas manifestações possibilidades interessantes de estudo por meio de ferramentas de trabalho como a modelagem e a simulação computacional. Daí, foi um passo para se envolverem com o problema do fluxo de vários fluidos não newtonianos quando em contato com meios porosos tridimensionalmente desordenados – aquilo que poderíamos chamar ‘fluidodinâmica computacional’.
Atacaram o problema em dois tempos. No primeiro, usaram como meio poroso o modelo do ‘queijo suíço’, por onde passava um fluido não newtoniano. Normalmente, se esperaria um comportamento muito diferente daqueles presentes em fluidos newtonianos. Entretanto, foi observado que, independentemente das características do ‘queijo’ escolhido (desordem do meio poroso) e da complexidade da reologia do fluido (velocidade de escoamento, densidade, viscosidade), existem condições definidas em que não há variação de comportamento. Ou seja: a despeito de tudo, somente o comportamento de fluxo newtoniano é observado.
Em um segundo momento, foram ver o que acontecia com o escoamento dos chamados fluidos binghamianos, quando estes atravessam os meios porosos. A principal característica desse tipo de fluido — do qual a lama de perfuração é um exemplo clássico — é que ele se comporta como um sólido quando a tensão de cisalhamento é pequena.
Dito de modo simplificado, os autores ‘detectaram’ uma ‘chave liga-desliga’ para o escoamento do fluido binghamiano que é ativada por variações da tensão de cisalhamento.
A pesquisa pode levar ao desenvolvimento de melhores dispositivos para escoar óleos lubrificantes e outros fluidos
Quais as implicações destes resultados?
São muitas. Podem, por exemplo, ter importante impacto no desenvolvimento de melhores dispositivos para o escoamento de fluidos anômalos, como sangue, óleos lubrificantes, pastas, cimentos líquidos, entre outros, através de obstáculos que possam ser representados por diferentes meios porosos (rochas, leitos empacotados, fibras etc.).
Coletes à prova de balas
Uma aplicação bastante recente dessas ideias está no uso de fluidos especiais — denominados pseudoplásticos — na área de segurança, visando ao aperfeiçoamento de coletes à prova de balas, que são muito usados em conflitos urbanos. Em sua concepção tradicional, esses coletes são fabricados usando-se fibras sintéticas especiais, como o Kevlar.
O que aconteceria se as fibras (meio poroso) fossem embebidas em um fluido (não newtoniano)?
Primeiramente, o colete fica mais flexível e, portanto, mais confortável, quando não está sujeito ao estresse. Quando um projétil entra em colisão com esse material (fibra + fluido), fluido se torna instantaneamente muito mais viscoso, melhorando substancialmente o desempenho protetor da vestimenta.
A pesquisa pode subsidiar estudos sobre o transporte de partículas sólidas e de aerossóis
Mas a coisa não fica só nisso. As abordagens decorrentes desse trabalho podem vir a subsidiar estudos ligados a outros fenômenos de transporte que podem ocorrer concomitantemente com o escoamento, como o transporte de partículas sólidas e de aerossóis, bem como a transferência de massa e calor em meios porosos, para ficarmos em poucos exemplos.
Os resultados advindos desses estudos serão fundamentais em aplicações relevantes ligadas ao desenho de novos processos de separação de misturas (por exemplo, a cromatografia e o fracionamento de partículas por tamanho). Mais: permitirá o projeto de dispositivos que abrirão enormes perspectivas para o desenvolvimento de novos processos químicos, com melhor desempenho e menor consumo de energia.
Oswaldo Luiz Alves
Laboratório de Química do Estado Sólido,
Instituto de Química,
Universidade Estadual de Campinas (SP)
Texto publicado na CH 267 (janeiro-fevereiro/2009)
Fonte: Instituto Ciência Hoje
(foto: flickr.com/dsugden - CC BY-NC-SA 2.0)
Hábitos comuns do cotidiano – como passar a água quente pelo filtro de papel para fazer um café – envolvem um tipo de física complexa, com aplicações práticas que vão da produção de coletes à prova de bala a processos cruciais para a indústria de grande porte, como a de petróleo. Uma contribuição importante para o entendimento desses fenômenos, relacionados à passagem de um líquido por um meio poroso, foi dada agora por um grupo de pesquisadores brasileiros e suíços. O artigo foi capa da prestigiosa Physical Review Letters (v. 103, p. 194502, 2009).
Passar um líquido através de um material poroso é um ato que faz parte de nosso cotidiano. Por exemplo, fazemos isso quando queremos filtrar algo, como nosso bom cafezinho. Outra observação do dia a dia: geralmente, quanto mais ‘grosso’ (mais viscoso) o líquido, mais difícil sua passagem pelo material poroso. Se colocarmos a mesma quantidade de areia em dois coadores de chá e adicionarmos ao primeiro água e ao segundo óleo, qual desses líquidos atravessará mais rapidamente a areia?
Quanto mais viscoso o líquido, mais difícil sua passagem por um material poroso
Resposta: a água.
Essa ‘velocidade’ estará relacionada com vários fatores: o tamanho do caminho percorrido pelo líquido; sua viscosidade; o tamanho dos grãos de areia; e como estes últimos estão arranjados (ou seja, se estão mais ou menos compactados).
Existem vários problemas de natureza prática em que situações similares ocorrem: da passagem do sangue pelo rim até o fluxo de óleo através de rochas porosas, como se dá no caso do xisto betuminoso (rochas porosas contendo óleo, encontradas em São Mateus do Sul, no Paraná). Essas situações estão relacionadas com problemas básicos ligados aos efeitos que os meios porosos tridimensionalmente desordenados (que não apresentam homogeneidade dos poros, como rochas, tecidos humanos e filtros) causam no comportamento do fluxo de diferentes líquidos quando estes os atravessam.
De fato, essa situação leva a uma divisão dos fluidos em newtonianos e não newtonianos. De forma bastante simplificada, os primeiros são aqueles em que a deformação do fluido é proporcional a um tipo de força com características especiais que o meio poroso aplica sobre o líquido que o atravessa. Essa força é denominada tensão de cisalhamento, e nela as forças são geralmente paralelas, mas agem em sentidos opostos. Estamos acostumados a lidar diariamente com vários fluidos newtonianos: água, óleo, ar etc.
Nos fluidos não newtonianos, as coisas se passam de maneira muito mais complexa: na presença de uma tensão de cisalhamento, ocorre deformação (caso da lama gerada em uma perfuração), mas também pode aumentar a viscosidade do fluido (caso da maizena em água) ou diminuí-la (molho de tomate). Resumindo: para os fluidos não newtonianos, usa-se o termo reologia (estudo do fluxo) para designar os estudos relacionados com a viscosidade, elasticidade, plasticidade e o escoamento da matéria.
Modelagem e simulação computacional
Em artigo recém-publicado, pesquisadores do Departamento de Física da Universidade Federal do Ceará e colegas suíços viram nessas manifestações possibilidades interessantes de estudo por meio de ferramentas de trabalho como a modelagem e a simulação computacional. Daí, foi um passo para se envolverem com o problema do fluxo de vários fluidos não newtonianos quando em contato com meios porosos tridimensionalmente desordenados – aquilo que poderíamos chamar ‘fluidodinâmica computacional’.
Atacaram o problema em dois tempos. No primeiro, usaram como meio poroso o modelo do ‘queijo suíço’, por onde passava um fluido não newtoniano. Normalmente, se esperaria um comportamento muito diferente daqueles presentes em fluidos newtonianos. Entretanto, foi observado que, independentemente das características do ‘queijo’ escolhido (desordem do meio poroso) e da complexidade da reologia do fluido (velocidade de escoamento, densidade, viscosidade), existem condições definidas em que não há variação de comportamento. Ou seja: a despeito de tudo, somente o comportamento de fluxo newtoniano é observado.
Em um segundo momento, foram ver o que acontecia com o escoamento dos chamados fluidos binghamianos, quando estes atravessam os meios porosos. A principal característica desse tipo de fluido — do qual a lama de perfuração é um exemplo clássico — é que ele se comporta como um sólido quando a tensão de cisalhamento é pequena.
Dito de modo simplificado, os autores ‘detectaram’ uma ‘chave liga-desliga’ para o escoamento do fluido binghamiano que é ativada por variações da tensão de cisalhamento.
A pesquisa pode levar ao desenvolvimento de melhores dispositivos para escoar óleos lubrificantes e outros fluidos
Quais as implicações destes resultados?
São muitas. Podem, por exemplo, ter importante impacto no desenvolvimento de melhores dispositivos para o escoamento de fluidos anômalos, como sangue, óleos lubrificantes, pastas, cimentos líquidos, entre outros, através de obstáculos que possam ser representados por diferentes meios porosos (rochas, leitos empacotados, fibras etc.).
Coletes à prova de balas
Uma aplicação bastante recente dessas ideias está no uso de fluidos especiais — denominados pseudoplásticos — na área de segurança, visando ao aperfeiçoamento de coletes à prova de balas, que são muito usados em conflitos urbanos. Em sua concepção tradicional, esses coletes são fabricados usando-se fibras sintéticas especiais, como o Kevlar.
O que aconteceria se as fibras (meio poroso) fossem embebidas em um fluido (não newtoniano)?
Primeiramente, o colete fica mais flexível e, portanto, mais confortável, quando não está sujeito ao estresse. Quando um projétil entra em colisão com esse material (fibra + fluido), fluido se torna instantaneamente muito mais viscoso, melhorando substancialmente o desempenho protetor da vestimenta.
A pesquisa pode subsidiar estudos sobre o transporte de partículas sólidas e de aerossóis
Mas a coisa não fica só nisso. As abordagens decorrentes desse trabalho podem vir a subsidiar estudos ligados a outros fenômenos de transporte que podem ocorrer concomitantemente com o escoamento, como o transporte de partículas sólidas e de aerossóis, bem como a transferência de massa e calor em meios porosos, para ficarmos em poucos exemplos.
Os resultados advindos desses estudos serão fundamentais em aplicações relevantes ligadas ao desenho de novos processos de separação de misturas (por exemplo, a cromatografia e o fracionamento de partículas por tamanho). Mais: permitirá o projeto de dispositivos que abrirão enormes perspectivas para o desenvolvimento de novos processos químicos, com melhor desempenho e menor consumo de energia.
Oswaldo Luiz Alves
Laboratório de Química do Estado Sólido,
Instituto de Química,
Universidade Estadual de Campinas (SP)
Texto publicado na CH 267 (janeiro-fevereiro/2009)
Fonte: Instituto Ciência Hoje
Vegetais são resgatados na área da transposição
Para autorizar obras nas margens do Rio São Francisco, Ibama exigiu realização de inventário de espécies. Por isso, Univasf está executando serviço, que garantiu reconhecimento da flora da região
Das duas mil espécies de plantas encontradas na caatinga, 581 ocupam as margens dos canais por onde será desviada a água do Rio São Francisco, no Sertão. O levantamento, realizado pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), é uma das exigências do Ibama para a execução da obra, do Ministério da Integração Nacional, e inclui os resgate de sementes, frutos e amostras das árvores, arbustos e ervas, entre outros tipos de vegetais.
O estudo, iniciado em julho de 2008, se estende por 350 quilômetros do eixo Norte, que liga Cabrobó (PE) a José da Penha (RN), e 210 do eixo Leste, que vai de Petrolândia (PE) a Monteiro (PB). “Tem sido um trabalho exaustivo de inventário e resgate, que vem permitindo o reconhecimento da flora da região, muito mais rica do que se costuma imaginar”, diz o coordenador do projeto, o professor da Univasf José Alves de Siqueira Filho.
O levantamento é realizado nas duas margens dos canais, num raio de mais de 200 metros, correspondentes à área da vegetação a ser desmatada. As valas terão 50 metros de largura e 10 de profundidade. O estudo tem mostrado que as famílias botânicas mais comuns na área de influência da transposição do Rio São Francisco são as das leguminosas, como a umburana-de-cheiro, e das euforbiáceas, a exemplo do pinhão-manso, além das gramíneas. “Das 581 espécies, 33,4% são ervas, 26,8% arbustos, 17% árvores, 13,5% trepadeiras, 3,9% plantas aquáticas, 1,4% parasitas e 0,9% de epífitas”, detalha José Alves, responsável pelo Centro de Referência para a Recuperação de Áreas Degradadas (Crad-Univasf).
Ao todo, foram identificadas 83 famílias botânicas. As amostras de plantas são incorporadas ao acervo do herbário da Univasf, um dos dois do Nordeste que possuem armários de correr, os mesmos usados nos do Royal Botanic Garden, da Inglaterra. O outro é o da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia.
DESTAQUES
Um dos destaques das plantas catalogadas é uma espécie ao mesmo tempo endêmica e ameaçada de extinção, o ipê-cascudo. Denominada pelos cientistas Handroanthus spongiosus, a arvoreta permanece florida apenas de dois a cinco dias por ano, entre os meses de novembro e dezembro. O espetáculo das flores amarelas pode ser visto logo após o início do período chuvoso.
Sem folhas e flores, durante o ano o ipê-cascudo se confunde com as outras plantas da caatinga, vegetação exclusiva do Brasil que se espalha por quase 800 mil quilômetros quadrados no interior do Nordeste. É um tipo de hibernação às avessas, chamada de estivação, que permite as espécies da flora da caatinga suportarem o período de estiagem. Ao sinal das primeiras chuvas, no entanto, os galhos e gravetos aparentemente secos retomam as folhas e flores.
Para Siqueira Filho, o inventário é importante não só para o estudo da caatinga, mas também para nortear as ações de reflorestamento previstas pelo Rima. “Sabendo quais as espécies da região, os técnicos que farão o serviço poderão usá-las no lugar das espécies exóticas, como o eucaliptote empregadas em projetos de revegetação”, explica.
Fonte:Jornal do commercio
Das duas mil espécies de plantas encontradas na caatinga, 581 ocupam as margens dos canais por onde será desviada a água do Rio São Francisco, no Sertão. O levantamento, realizado pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), é uma das exigências do Ibama para a execução da obra, do Ministério da Integração Nacional, e inclui os resgate de sementes, frutos e amostras das árvores, arbustos e ervas, entre outros tipos de vegetais.
O estudo, iniciado em julho de 2008, se estende por 350 quilômetros do eixo Norte, que liga Cabrobó (PE) a José da Penha (RN), e 210 do eixo Leste, que vai de Petrolândia (PE) a Monteiro (PB). “Tem sido um trabalho exaustivo de inventário e resgate, que vem permitindo o reconhecimento da flora da região, muito mais rica do que se costuma imaginar”, diz o coordenador do projeto, o professor da Univasf José Alves de Siqueira Filho.
O levantamento é realizado nas duas margens dos canais, num raio de mais de 200 metros, correspondentes à área da vegetação a ser desmatada. As valas terão 50 metros de largura e 10 de profundidade. O estudo tem mostrado que as famílias botânicas mais comuns na área de influência da transposição do Rio São Francisco são as das leguminosas, como a umburana-de-cheiro, e das euforbiáceas, a exemplo do pinhão-manso, além das gramíneas. “Das 581 espécies, 33,4% são ervas, 26,8% arbustos, 17% árvores, 13,5% trepadeiras, 3,9% plantas aquáticas, 1,4% parasitas e 0,9% de epífitas”, detalha José Alves, responsável pelo Centro de Referência para a Recuperação de Áreas Degradadas (Crad-Univasf).
Ao todo, foram identificadas 83 famílias botânicas. As amostras de plantas são incorporadas ao acervo do herbário da Univasf, um dos dois do Nordeste que possuem armários de correr, os mesmos usados nos do Royal Botanic Garden, da Inglaterra. O outro é o da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia.
DESTAQUES
Um dos destaques das plantas catalogadas é uma espécie ao mesmo tempo endêmica e ameaçada de extinção, o ipê-cascudo. Denominada pelos cientistas Handroanthus spongiosus, a arvoreta permanece florida apenas de dois a cinco dias por ano, entre os meses de novembro e dezembro. O espetáculo das flores amarelas pode ser visto logo após o início do período chuvoso.
Sem folhas e flores, durante o ano o ipê-cascudo se confunde com as outras plantas da caatinga, vegetação exclusiva do Brasil que se espalha por quase 800 mil quilômetros quadrados no interior do Nordeste. É um tipo de hibernação às avessas, chamada de estivação, que permite as espécies da flora da caatinga suportarem o período de estiagem. Ao sinal das primeiras chuvas, no entanto, os galhos e gravetos aparentemente secos retomam as folhas e flores.
Para Siqueira Filho, o inventário é importante não só para o estudo da caatinga, mas também para nortear as ações de reflorestamento previstas pelo Rima. “Sabendo quais as espécies da região, os técnicos que farão o serviço poderão usá-las no lugar das espécies exóticas, como o eucaliptote empregadas em projetos de revegetação”, explica.
Fonte:Jornal do commercio
Internet prejudica capacidade de concentração dos jovens
A internet pode atrapalhar a capacidade de concentração dos jovens. Essa é a conclusão de um estudo realizado pela University College of London, na Grã-Bretanha, que afirma que os estudantes já não são capazes de ler e escrever textos longos porque a internet faz com que a mente deles funcione de maneira diferente do cérebro das gerações anteriores.
De acordo com os pesquisadores, a internet estimula uma leitura "picada" das informações, o que mais tarde dificulta a concentração em uma só fonte, como o livro. Esse novo pensamento "por associação" mina a capacidade de "linearidade" nas atividades, como a leitura e a escrita, remodulando a mente. ''Noto que, quando os alunos chegam para o primeiro dia de aula na universidade, eles me perguntam nervosos: 'O que teremos que ler?'", conta David Runciman, cientista político da Universidade de Cambridge.
Durante a pesquisa, 100 voluntários responderam a uma série de perguntas que exigiam um pouco de pesquisa. O grupo dos mais jovens, de 12 a 18 anos, responderam ao questionário depois de visitar a metade das páginas pelo grupo de pessoas mais velhas. Também foi constatado que a maioria das repostas dos mais jovens eram incompletas.
Ainda segundo o estudo, 40% dos adolescentes que participaram nunca revisitam uma página já consultada anteriormente e, para a pesquisa, eles não consultaram mais que três das milhares de páginas encontradas na internet sobre um determinado assunto. Já as pessoas do período pré-internet voltavam às mesmas fontes e aprofundavam a sua pesquisa ao invés de saltar de uma página para outra.
David Nicholas, coordenador da pesquisa, afirma que a grande surpresa foi constatar a falta de linearidade mesmo na internet. "A verdadeira surpresa foi perceber que as pessoas parecem estar salteando pelo território virtual. Eles estão pulando entre os sites, olhando uma página ou duas, indo a outro site, vendo mais duas páginas e seguindo em frente. Ninguém parece estar ficando em algum lugar por muito tempo."
As conclusões da pesquisa, uma das primeiras a estudar sistematicamente o comportamento das pessoas na internet, estão apresentadas em um documentário produzido pela rede de TV britânica BBC. "Parece que está muito claro que – para o bem o para o mal – a geração mais jovem está sendo remodulada pela web", afirmou Aleks Krotoski, psicólogo e apresentador do documentário. "Agora há evidências empíricas de que o excesso de informação e o pensamento por associação pode reformular a maneira de pensar dos jovens", concluiu Krotoski.
Fonte:Veja
De acordo com os pesquisadores, a internet estimula uma leitura "picada" das informações, o que mais tarde dificulta a concentração em uma só fonte, como o livro. Esse novo pensamento "por associação" mina a capacidade de "linearidade" nas atividades, como a leitura e a escrita, remodulando a mente. ''Noto que, quando os alunos chegam para o primeiro dia de aula na universidade, eles me perguntam nervosos: 'O que teremos que ler?'", conta David Runciman, cientista político da Universidade de Cambridge.
Durante a pesquisa, 100 voluntários responderam a uma série de perguntas que exigiam um pouco de pesquisa. O grupo dos mais jovens, de 12 a 18 anos, responderam ao questionário depois de visitar a metade das páginas pelo grupo de pessoas mais velhas. Também foi constatado que a maioria das repostas dos mais jovens eram incompletas.
Ainda segundo o estudo, 40% dos adolescentes que participaram nunca revisitam uma página já consultada anteriormente e, para a pesquisa, eles não consultaram mais que três das milhares de páginas encontradas na internet sobre um determinado assunto. Já as pessoas do período pré-internet voltavam às mesmas fontes e aprofundavam a sua pesquisa ao invés de saltar de uma página para outra.
David Nicholas, coordenador da pesquisa, afirma que a grande surpresa foi constatar a falta de linearidade mesmo na internet. "A verdadeira surpresa foi perceber que as pessoas parecem estar salteando pelo território virtual. Eles estão pulando entre os sites, olhando uma página ou duas, indo a outro site, vendo mais duas páginas e seguindo em frente. Ninguém parece estar ficando em algum lugar por muito tempo."
As conclusões da pesquisa, uma das primeiras a estudar sistematicamente o comportamento das pessoas na internet, estão apresentadas em um documentário produzido pela rede de TV britânica BBC. "Parece que está muito claro que – para o bem o para o mal – a geração mais jovem está sendo remodulada pela web", afirmou Aleks Krotoski, psicólogo e apresentador do documentário. "Agora há evidências empíricas de que o excesso de informação e o pensamento por associação pode reformular a maneira de pensar dos jovens", concluiu Krotoski.
Fonte:Veja
Árvores de padim Ciço tomam o sertão
Juazeiro, além de uma cidade, é nome de uma árvore. E a árvore é um símbolo do sertão e da terra de Padre Cícero.
Padre Cícero era um defensor das matas e de Juazeiro, a cidade e a árvore. Seus preceitos ecológicos - não matar animais, não derrubar, plantar árvores até todo o sertão ser uma mata só - são um exemplo a ser seguido sempre, mas especialmente hoje, quando a bancada da motosserra de Brasília ataca nossas florestas.
Desde a semana passada, os romeiros que prestam homenagem a Padim Ciço em Juazeiro do Norte recebem mudas da árvore Juazeiro, ou apenas Juá, como informa o jornal “Diário do Nordeste“. A intenção é distribuir 1 milhão de mudas. A árvore fica verde até no verão, uma bênção para seus moradores.
Falta agora os deputados federais que querem demolir o Código Florestal abrir seu coração para os sábios conselhos de Padre Cícero e seguir o exemplo de seus romeiros. Você pode ajudar, repassando esse santinho para seus conhecidos.
Não deixe a bancada da motosserra derrubar nossas florestas.
Fonte:Greenpeace Blog
Padre Cícero era um defensor das matas e de Juazeiro, a cidade e a árvore. Seus preceitos ecológicos - não matar animais, não derrubar, plantar árvores até todo o sertão ser uma mata só - são um exemplo a ser seguido sempre, mas especialmente hoje, quando a bancada da motosserra de Brasília ataca nossas florestas.
Desde a semana passada, os romeiros que prestam homenagem a Padim Ciço em Juazeiro do Norte recebem mudas da árvore Juazeiro, ou apenas Juá, como informa o jornal “Diário do Nordeste“. A intenção é distribuir 1 milhão de mudas. A árvore fica verde até no verão, uma bênção para seus moradores.
Falta agora os deputados federais que querem demolir o Código Florestal abrir seu coração para os sábios conselhos de Padre Cícero e seguir o exemplo de seus romeiros. Você pode ajudar, repassando esse santinho para seus conhecidos.
Não deixe a bancada da motosserra derrubar nossas florestas.
Fonte:Greenpeace Blog
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