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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Produção de etanol de cana-de-açúcar pode afetar ecossistemas regionais

Foto: Andrew Allen in Unesp Ciência, fevereiro de 2010,                 pág. 42

Queimada em canavial na região de Araraquara, SP (Foto: Andrew Allen in 'Unesp Ciência', fevereiro de 2010, pág. 42)

Todo produto “sustentável” que se preze tem estampada na embalagem sua “pegada de carbono” – uma medida dos gases de efeito estufa emitidos durante sua produção. Quanto menor a pegada, menos o produto contribui para aumentar o aquecimento global e suas consequentes mudanças climáticas.

O etanol vem sendo visto com bons olhos justamente porque, ao contrário do petróleo, cuja queima lança no ar carbono que estava “fora de circulação” há centenas de milhões de anos, suas emissões são compensadas durante o crescimento das plantações de cana-de-açúcar, que absorvem CO2 no processo de fotossíntese. Isso praticamente zera o balanço de carbono.

Pegaria muito mal, porém, se fosse estampada na embalagem do etanol sua “pegada de nitrogênio”. Como quase todo tipo de agricultura intensiva, a cultura da cana-de-açúcar exige a aplicação de fertilizantes à base de compostos com nitrogênio, como o nitrato de amônio. Acontece que essa aplicação é extremamente ineficiente. Apenas 30% do nitrogênio dele é absorvido pela cana. O restante acaba se perdendo no solo, na água e no ar.


Chuva de fertilizante sobre rios, campos e florestas distantes até mais de 300 quilômetros dos canaviais é 12 vezes mais intensa do que a natural

O nitrogênio é essencial à vida, faz parte do DNA, RNA e das proteínas; daí ser um dos ingredientes essenciais dos fertilizantes. Mas quando ele fica à disposição em excesso, espécies de plantas e micro-organismos que o absorvem mais rápido podem se proliferar e tomar o lugar das outras, destruindo o equilíbrio do ecossistema e sua biodiversidade. Nos ambientes aquáticos, o efeito é imediato: uma explosão de crescimento de algas libera toxinas e consome quase todo o oxigênio na água.

Vários estudos feitos no Estado de São Paulo – local da maior produção de cana-de-açúcar do mundo – já observaram como as águas arrastam nitrogênio fertilizante dos canaviais até córregos, rios e represas, onde ele degrada o ambiente aquático e as matas ciliares. Mas ao avaliar a concentração nas represas, os cientistas perceberam que somente o transporte pela água não explica toda a quantidade de nitrogênio encontrada.

O químico ambiental Arnaldo Cardoso, do Instituto de Química da Unesp, câmpus de Araraquara, suspeita que esse nitrogênio em excesso venha da atmosfera, na forma de uma poeira microscópica de nitrato de amônio. É como se fosse uma “chuva seca” de fertilizantes que se forma no ar a partir de gases emitidos pela queima da folhagem da cana feita antes da colheita. “Mas esse é um conceito que ainda não cristalizou na cabeça dos biólogos”, afirma Cardoso.

reprodução /Reprodução

A queima da palha da cana espalha fertilizante pelo ar, que cai sobre florestas a centenas de quilômetros dos canaviais (crédito: Sandro Falsetti / 'Unesp Ciência' fevereiro de 2010, pág. 43)

Em uma série de projetos com apoio da Fapesp e do CNPq, Cardoso, Cristine Dias e Andrew Allen, todos do IQ, monitoram desde 2003 as substâncias químicas no ar dos arredores de Araraquara, que fica no centro da maior região produtora de cana de São Paulo. Uma das análises da equipe, publicada em janeiro no “Journal of the Brazilian Chemical Society”, concluiu que essa chuva de fertilizante sobre rios, campos e florestas distantes até mais de 300 quilômetros dos canaviais é 12 vezes mais intensa do que a que aconteceria naturalmente. É como se alguém salpicasse fertilizante pela região.


Queima de palha da cana de todo o Estado de SP emite na atmosfera por ano o equivalente a 2,5 vezes as emissões de nitrogênio da Grande Campinas ou 50% daquelas da Grande São Paulo

Os dados levantados pelos químicos da Unesp mostram que as concentrações da maioria das substâncias, principalmente aquelas com nitrogênio, fósforo e potássio, aumenta durante a queima da palha da cana, entre maio e novembro. As concentrações dos óxidos de nitrogênio, por exemplo, dobram no período, e os picos nas suas concentrações coincidem com a frequência das queimadas.

Foto: Hélvio Romero / AE 07/07/2006

Vista aérea de colheita de cana-de-açúcar na região de Araraquara, no interior de São Paulo (Foto: Hélvio Romero / AE 07/07/2006)

Em estudo publicado em 2008 na revista “Environmental Science & Technology”, a equipe calculou que a queima de palha da cana de todo o Estado de São Paulo emite na atmosfera 57 mil toneladas de nitrogênio por ano. Isso equivale às emissões de nitrogênio de uma metrópole – cerca de duas vezes e meia as emissões anuais da Grande Campinas ou metade daquelas da Grande São Paulo.

Nas cidades, a principal fonte de nitrogênio no ar é a queima de combustíveis. Os óxidos de nitrogênio gerados participam de reações químicas na atmosfera produzindo nitrato de amônio, ácido nítrico – que contribui com a chuva ácida –, e ozônio, que na baixa atmosfera faz mal à saúde animal e vegetal.

A imensa maioria do nitrogênio no ar (99%) está na forma do inofensivo gás nitrogênio. Bactérias que vivem no solo e na água transformam naturalmente esse gás em óxidos de nitrogênio, amônia e amônio, todos compostos que reagem com seres vivos, também conhecidos como nitrogênio ativo.

Ao mesmo tempo, outro tipo de bactéria, também no solo e na água, vive de fazer a transformação oposta, devolvendo gás nitrogênio para a atmosfera. Os dois comportamentos fechavam um ciclo que permaneceu em equilíbrio até o começo do século 20. Desde então os fertilizantes e os motores a combustão mais que dobraram a produção global anual de nitrogênio ativo.

É um dos três problemas ambientais mais graves do mundo, junto com a acelerada perda da biodiversidade e a alta concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Para chamar atenção do público, o químico ambiental James Galloway, da Universidade de Virgínia, EUA, coordenou a criação de uma calculadora de “pegada de nitrogênio”, nos moldes da pegada de carbono ( clique aqui para acessar a calculadora), por enquanto apenas para os EUA e a Holanda. “Planejamos adicionar outros países em 2010”, diz Galloway.

Fonte: G1>Ciência e Saúde -Notícias

Pesquisadores estudam salamandra gigante do Japão

Um grupo de pesquisadores e ambientalistas está pesquisando uma espécie de salamandra gigante, com 1,7 metro de comprimento. Além de seu tamanho, a salamandra Andrias japonicus, conhecida como hanzaki no Japão, chamou a atenção de ambientalistas internacionais e cientistas japoneses pelo seu status de fóssil vivo e pelo fato de não ser atingida por um fungo que está devastando muitas outras espécies de anfíbios no mundo todo.
BBC
Salamandra tem 1,7 metro de comprimento

Salamandra tem 1,7 metro de comprimento

"O esqueleto desta espécie é quase idêntico ao dos fósseis de 30 milhões de anos atrás", disse Takeyoshi Tochimoto, diretor do Instituto Hanzaki, perto da cidade de Hyogo (sudoeste do Japão). "Por isso é chamada de 'fóssil vivo'", acrescentou.

"É um 'dinossauro', isto é espantoso", afirmou Claude Gascon, chefe dos programas científicos da entidade ambientalista Conservation International e também um dos líderes do grupo especialista em anfíbios da União Internacional para a Conservação da Natureza. "Nós falamos de salamandras que geralmente cabem na palma da sua mão. Esta pode arrancar sua mão."
A salamandra examinada por Gascon está segura, presa em um tanque no centro de visitação da cidade de Maniwa, a 800 km de Tóquio.

Peixes e parentes
Além de ter 1,7 metro de comprimento, a salamandra gigante tem uma pele semelhante ao couro, uma cabeça grande e coberta de estruturas que provavelmente são sensíveis ao movimento e ajudariam a salamandra a capturar peixes.

A salamandra hanzaki tem dois parentes próximos: a salamandra gigante chinesa (A. davidianus), que tem tamanho e forma semelhantes à japonesa e pode se acasalar com elas; e uma bem menor, a Cryptobranchus alleganiensis, do sudeste dos Estados Unidos.

Geralmente as salamandras gigantes ocupam covas em margens de rio. A ocupação é feita em grupos com um macho dominante, várias fêmeas e alguns outros machos.
BBC
Salamandras gigantes ocupam covas em margens de rio

Salamandras gigantes ocupam covas em margens de rio

O macho dominante e as fêmeas liberam na água óvulos e espermatozoides e se movimentam incessantemente para misturar tudo. Os machos não dominantes talvez também liberem espermatozoides, mas o papel deles ainda não está claro.

Quando a água fica mais calma, todos deixam a cova, exceto o macho dominante, que fica para cuidar do ninho e dos filhotes.

Fora da época de reprodução, a vida da salamandra é bem tranquila, vivendo da forma mais discreta possível no rio e capturando tudo o que estiver ao seu alcance para se alimentar.

Criaturas como estas certamente já habitavam o planeta quando os dinossauros ainda existiam, e fósseis da família foram encontrados bem longe da restrita área onde são encontrados atualmente.

"Acredita-se que elas sejam espécies extremamente primitivas, em parte devido ao fato de serem as únicas salamandras com fertilização externa", afirmou Don Church, especialista em salamandras da Conservation International.
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Fonte:BBC Brasil

Banho de sol aumenta libido masculina, sugere estudo

Um estudo feito por pesquisadores na Áustria sugeriu que o banho de sol pode aumentar a libido masculina pois a vitamina D produzida eleva a concentração de testosterona no sangue.

Boa parte da vitamina D é sintetizada pela pele ao ser exposta à luz do sol e o restante é proveniente dos alimentos.

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O estudo, divulgado na revista Clinical Endocrinology, incluiu 2.299 homens e constatou que os homens tinham uma concentração menor tanto da vitamina quanto do hormônio durante o inverno e uma concentração mais alta no auge do verão.

A testosterona pode ter um impacto sobre a libido e os níveis de energia do homem.

Ela também tem funções essenciais tanto em homens quanto em mulheres, mantendo a força muscular e a densidade óssea.

Suplementos

Winfried Marz e seus colegas que participaram do estudo disseram que os cientistas deveriam agora verificar se suplementos de vitamina D têm o mesmo efeito sobre a testosterona.

Ad Brand, do Sunlight Research Forum, na Holanda --uma organização sem fins lucrativos criada para informar o público sobre as descobertas científicas sobre os efeitos do sol sobre a saúde disse: "Os homens que cuidam para que o seu organismo tenha um suprimento de vitamina D suficiente estão fazendo algo bom para os seus níveis de testosterona e sua libido, além de outras coisas."

Mas especialistas em câncer advertem que exposição excessiva ao sol é prejudicial à saúde.

Allan Pacey, especialista em andrologia da Universidade de Sheffield, disse: "Nós sabemos que, em termos médicos, nós podemos aumentar a libido e o bem-estar geral dos homens com baixa concentração de testosterona através de uma terapia de reposição hormonal."

"Mas isso é dentro de um conjunto determinado de circunstâncias clínicas em que a produção de testosterona é baixa."

"Se um homem saudável nota mudanças significativas durante o ano todo não é tão claro e eu recomendaria aos homens que tenham bom senso se usarem camas de bronzeamento nos meses de inverno por causa dos riscos associados ao uso excessivo."

Jessica Harris, da Pesquisa do Câncer do Reino Unido, também advertiu contra a exposição excessiva ao sol e lembrou: "As pessoas também podem aumentar sua concentração de vitamina D comendo mais alimentos como peixes oleosos, tais como salmão, truta ou cavala."

Fonte:Folha online BBC Brasil

Parkinson e coração

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – As causas da doença de Parkinson ainda não são completamente conhecidas. Sabe-se que essa desordem degenerativa é caracterizada pela disfunção dos neurônios secretores de dopamina (mediador químico importante para a atividade normal do cérebro) e afeta regiões cerebrais responsáveis pelo controle muscular, provocando tremores, rigidez nos músculos e diminuição de mobilidade.

Novos estudos têm indicado também a associação da doença com problemas no coração, como se viu no 18th WFN World Congress on Parkinson’s Disease and Related Disorders, realizado em Miami, nos Estados Unidos, em dezembro último.

De acordo com as pesquisas, sintomas cardíacos podem anteceder os sintomas motores causados pela doença de Parkinson, e pode haver uma independência entre os sintomas cardíacos e os motores da doença em pacientes humanos.

Segundo o estereologista Antonio Augusto Coppi, responsável pelo Laboratório de Estereologia Estocástica e Anatomia Química (LSSCA) do Departamento de Cirurgia da Faculdade de MedicinaVeterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade de São Paulo (USP), que apresentou no congresso de Miami um trabalho relacionando os efeitos da doença no coração, os estudos recentes ressaltam novas formas de manifestação clínica da doença de Parkinson.

“Antes, quando se falava em Parkinson, havia uma clara referência ao indivíduo com dificuldade de tirar a carteira do bolso em um supermercado ou que não conseguia atravessar a rua. Ou seja, eram apenas sintomas motores. Hoje, já se sabe que o paciente pode também apresentar sintomas generalizados, como os cardíacos. Mas se esses sintomas antecedem os motores, sucedem ou se eles ocorrem simultaneamente, ainda é uma incógnita”, disse Coppi à Agência FAPESP .

O docente coordena a pesquisa intitulada “Caracterização comportamental, funcional e morfológica das cardioneuromiopatias tóxicas (MPTP) e geneticamente induzidas em camundongos com alta expressão de alfa-sinucleina humana”, apoiada pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, na qual se busca adequar modelos (químico e genético) eficazes para estudar a doença de Parkinson.

A equipe de Coppi induziu a doença de Parkinson nos animais por meio do uso do 1-metil-1-4-fenil-1,2,3,6-tetrahidropirimidina (MPTP), de modo a analisar seus efeitos no miocárdio, na inervação do coração e nos neurônios do sistema nervoso central.

Segundo o pesquisador, a manifestação clínica do Parkinson tem mudado muito. “A pesquisa procura entender de que forma a doença afeta o coração. Investigamos se a droga MPTP causa alteração no coração e, simultaneamente, no encéfalo. O objetivo é ver se o MPTP pode ser um bom modelo para se quantificar os efeitos da doença de Parkinson no coração”, explicou.

Nos resultados preliminares, o grupo de camundongos que recebeu a droga apresentou, à análise morfológica estereológica estocástica tridimensional, uma atrofia do ventrículo esquerdo do coração e “uma tendência ao aumento do número de núcleos de fibras cardíacas (cardiomiócitos) desse mesmo ventrículo, o que é sugestivo de uma proliferação compensatória dessas fibras”, disse Coppi.

Além disso, os animais apresentaram taquicardia (sem aumento da pressão arterial) e diminuição global da inervação cardíaca, incluindo distúrbios da inervação simpática. Os dados foram corroborados pelo decréscimo nas concentrações de neurotransmissores (catecolaminas) no coração –dopamina e noradrenalina.

“Quando o coração apresenta redução no seu suprimento nervoso, tem também menos capacidade de se contrair e atuar como bomba propulsora na distribuição do sangue para o resto do corpo”, explicou.

O caráter inovador do projeto reside no fato de se usar estereologia estocástica tridimensional para quantificar “associadamente” o músculo cardíaco, a inervação cardíaca e os neurônios do sistema nervoso central e ver como isso pode estar conjuntamente afetado pela doença de Parkinson.

“Se a droga causar lesões no cérebro e, simultaneamente, no coração, é um bom indício de que o MPTP possa ser um bom modelo químico para se estudar a forma cardíaca do Parkinson. Embora a droga já fosse utilizada na literatura para induzir a doença de Parkinson em camundongos e em primatas, os estudos sempre enfocaram o cérebro, mas sem abordar o aspecto morfoquantitativo do coração”, destacou Coppi.

O modelo desenvolvido é análogo ao que desenvolve em outra pesquisa relacionando a doença de Huntington (desordem neurodegenerativa hereditária que afeta principalmente o sistema nervoso central) e efeitos no coração, também apoiada pela FAPESP.

Caráter sistêmico

A grande mudança de paradigma nas novas pesquisas, de acordo com Coppi, é que a doença de Parkinson pode se iniciar pelo sistema nervoso periférico. “E, a partir daí, pode afetar os órgãos que são inervados por esse sistema periférico e sem qualquer relação com os neurônios do cérebro”, disse.

“Até então se achava que a doença de Parkinson começava no sistema nervoso central e, depois, poderia evoluir para um quadro periférico, afetando outros órgãos. Agora, novas hipóteses são formuladas de que pode ocorrer algo periférico primeiro, ou seja, algo não cerebral, e depois evoluir para o cérebro”, reforçou.

Sobre os sintomas motores da doença, o professor da FMVZ-USP, destaca que o estudo comportamental está sendo conduzido com resultados muito interessantes. “Os animais induzidos com MPTP apresentam diminuição acentuada da locomoção (mobilidade) quando comparados aos animais sadios”, disse.

A próxima etapa do estudo será comparar o modelo químico (MPTP) com o modelo genético. Animais geneticamente modificados que já possuem o gene para a doença de Parkinson estão sendo importados. “Queremos ver se no animal transgênico ocorrerão alterações similares às observadas no modelo químico. Esperamos encontrar resultados robustos que nos ajudem a entender a evolução do Parkinson em pacientes humanos”, disse.

Coppi enfatiza o caráter interdisciplinar do estudo, que contempla análise morfológica, comportamental, funcional e bioquímica, ao destacar a participação na pesquisa de docentes colaboradores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP: Maria Dagli e Frederico da Costa Pinto; da Universidade Federal de São Paulo: Monica Andersen e Dulce Casarini; e da Escola de Educação Física e Esporte da USP: Patrícia Brum.

Mais detalhes sobre a pesquisa podem ser obtidos com o professor Coppi por e-mail (guto@usp.br, skype (antonio.augusto.stereo), telefone (11) 3091 - 1214 ou visitando o site do LSSCA (www2.fmvz.usp.br/lssca).
Fonte: Agência FAPESP

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cada vez mais frágeis

Cada vez mais frágeis

Estudo feito na FSP-USP indica que idosos paulistanos são atingidos mais cedo pela síndrome de fragilidade. No grupo de 689 idosos avaliados, em apenas dois anos o problema, que atingia 14%, passou a afetar 45% do total(Faculdade de Medicina da Universidade de Virgínia - EUA)



Agência FAPESP – A fragilidade em idosos – uma síndrome clínica que se caracteriza por perda de peso involuntária, fadiga, fraqueza, diminuição da velocidade de caminhada e baixa atividade física – atinge a população da cidade de São Paulo precocemente em relação aos países desenvolvidos e, depois dos 75 anos, avança com extrema rapidez.

A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) com uma amostra de 689 pessoas com mais de 75 anos na capital paulista. A síndrome, de acordo com a pesquisa, atingia 14,1% do grupo em 2006. Em 2008, apenas dois anos depois, a prevalência já era de mais de 45%.

O trabalho, que teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, está ligado ao Projeto Temático “Saúde, bem-estar e envelhecimento (Sabe-2005) – Estudo longitudinal sobre as condições de vida e saúde dos idosos no município de São Paulo”, coordenado pelos professores Ruy Laurenti e Maria Lúcia Lebrão, ambos do Departamento de Epidemiologia da FSP.

A coordenadora do subprojeto, Yeda Duarte, professora da Escola de Enfermagem (EE) da USP, afirma que até agora, no Brasil, a síndrome de fragilidade não havia sido tema de estudos longitudinais – isto é, que buscam correlações entre variáveis partindo de observações ao longo de um extenso período de tempo.

“A questão da fragilidade tem sido bastante trabalhada em outros países, mas no Brasil estamos apenas começando. No exterior, a prevalência da fragilidade varia entre 7% e 35%, dependendo do país e do desenho do estudo. Nossa pesquisa mostra uma porcentagem bem maior aos 75 anos, o que indica que nossos idosos estão se fragilizando mais cedo”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Yeda, não existe um consenso definitivo sobre o que é a fragilidade. O conceito adotado na pesquisa – desenvolvido por Linda Fried, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos – caracteriza a síndrome a partir de cinco parâmetros: perda involuntária do peso, fadiga, diminuição da velocidade de caminhada, baixa atividade física e perda da força – medida por força de preensão manual.

“A ausência desses parâmetros indica que a pessoa não é frágil. A presença de um ou dois deles caracteriza a condição de pré-fragilidade – e entendemos que esse é o momento para uma intervenção. Três ou mais parâmetros indicam que a pessoa é frágil”, explicou.

O idoso frágil, segundo Yeda, fica mais vulnerável e tende a sofrer com mais efeitos adversos, o que gera um círculo vicioso que o torna mais dependente e mais suscetível a doenças.

“A pessoa nessa faixa etária, em geral, come menos, tem perda do paladar e menos gasto energético. Ela perde peso porque tem menos massa muscular e, com isso, cansa com facilidade e anda muito devagar. Assim, diminui sua atividade física e gasta ainda menos energia, o que a leva a comer menos”, disse.

A fragilidade tem sido um dos três focos principais do Projeto Temático Sabe-2005. Os outros dois são as questões das demências e do envelhecimento ativo, isto é, a promoção da saúde com o objetivo de que a população chegue a idade avançada com melhor qualidade de vida.

“Não adianta trabalhar para que as pessoas vivam mais se não pudermos fazer com que elas envelheçam com qualidade de vida. Por isso achamos fundamental conhecer os fatores determinantes da fragilidade, que é uma condição que leva à dependência e ao sofrimento”, destacou.

Deixados de lado

A partir dos dados de 2006, extraídos do Sabe-2005, os pesquisadores selecionaram uma amostra que representa a população paulistana com mais de 75 anos. O grupo foi acompanhado a cada seis meses por dois anos, entre 2008 e 2009. A visita de 2006 mostrava que o grupo de não-frágeis correspondia a 31% da população. Os pré-frágeis eram 54,9% e os frágeis eram 14,1%.

“Isso mostrava que a maioria da população dessa idade já era pré-frágil. Se a população está se fragilizando antes dos 75 anos, indica que as pessoas terão um período extremamente longo de vida em condição de dependência e incapacidade”, comentou Yeda.

A mesma população foi acompanhada em 2008 pelos pesquisadores. A parcela dos pré-frágeis caiu ligeiramente para 49,1%. Mas houve aumento brutal dos frágeis (45,4%) e queda dos não-frágeis (5,6%).

“É provável que muitos pré-frágeis tenham passado para o grupo dos frágeis. O que verificamos é que, em um período muito curto, o idoso mais longevo passa a precisar de um acompanhamento frequente. Se não houver uma intervenção adequada, ele tem uma tendência à piora extremamente rápida”, disse.

Não é fácil, segundo Yeda, levar um idoso frágil ao serviço de saúde, justamente por conta de sua condição. Com isso, ele é muitas vezes hospitalizado apenas quando já está em estado crítico.

“Sempre ouvimos dizer que o idoso onera o sistema público de saúde. Mas isso acontece porque ele chega em condições muito ruins. Se pudéssemos cuidar para que ele não se tornasse frágil, evitaríamos a ida para a urgência em estado grave, impedindo internações muito longas. Cuidar da fragilidade é fundamental para desonerar o sistema”, explicou.

Entre os idosos frágeis visitados em 2008, uma parcela de 46,9% sofreu quedas, contra 6% dos não-frágeis. Entre os frágeis que caíram, 53,5% foram hospitalizados. Desses, 50% procuraram serviços de urgência.

Do grupo de idosos frágeis, 30,6% mostraram necessidade de um cuidador, pois não conseguiam realizar sozinhos tarefas como comer, tomar banho ou levantar-se de uma cadeira. “Precisamos mudar o paradigma de tratamento da pessoa idosa. Não adianta oferecer apenas hospitais, é preciso mudar a intervenção na direção de oferecer acompanhamento a essa população”, disse Yeda.

A professora da EE-USP conta que a Prefeitura de São Paulo criou um programa de acompanhantes de idosos que indica a direção certa para as políticas públicas. A iniciativa atende 1,5 mil idosos da cidade que moram sozinhos e têm algum grau de dependência física ou mental, oferecendo cuidadores treinados.

“Isso é fundamental, porque essas pessoas ficam em casa, não comem, não andam e se fragilizam cada vez mais. O problema é a escala. Estimamos que existe 1,2 milhão de idosos na cidade de São Paulo e nossa pesquisa mostrou que metade deles é frágil. Esse tipo de programa precisa ser replicado e ampliado”, disse.

Yeda conta que, a partir de agora, o grupo de pesquisa deverá realizar um novo projeto para estudar a fragilidade a partir dos 60 anos. “Como nossos resultados mostraram que a prevalência já é muito alta aos 75 anos, precisamos estudar agora os determinantes da síndrome em uma faixa etária anterior”, disse.
Fonte: Fábio de Castro -FAPESP

Cientistas imitam teia de aranha em fibra sintética para coletar água

Redes desenvolvidas com alta tecnologia, inspiradas por teias de aranha, e capazes de coletar água da névoa de locais muito úmidos, podem ajudar a levar o líquido a locais atingidos por secas.

Em estudo publicado na revista "Nature" nesta quarta-feira (3), cientistas chineses explicam que a teia das aranhas não é apenas forte, mas também possui uma significativa capacidade de coletar a água presente no ar, evitando que o animal precise se preocupar em ter o que beber.

O segredo, revelado por um microscópio eletrônico, está nas fibras proteicas em formato de cauda que formam a teia, cuja estrutura muda ao reagir com a água.

Uma vez em contato com a umidade, pequenos segmentos do fio se "enrolam" em minúsculos nós, cuja distribuição aleatória de fibras é responsável pela textura áspera e cheia de protuberâncias da teia.

As pequenas gotas se condensam por toda a teia de aranha, até chegarem a um tamanho máximo, quando escorregam pelo fio até as articulações da trama, onde se unem às outras gotas, formando porções maiores de água.


Divulgação
Personagem Homem-Aranha e sua teia sintética; cientistas imitam teia e incluem capacidade de coletar água
Personagem Homem-Aranha e sua teia sintética; cientistas imitam
teia e incluem capacidade de coletar água

Fabricação

A equipe de pesquisadores, coordenada por Lei Jiang, da Academia Chinesa de Ciências em Pequim, estudou a teia da aranha Uloborus walckenaerius, que usa uma espécie de pente, ou cribellum, para separar as fibras e moldá-las de diferentes maneiras.

Inspirados na aranha, os cientistas começaram a desenvolver fibras com o objetivo de reproduzir a estrutura microscópica da teia.

"Nossa teia de aranha artificial não apenas imita a estrutura da teia de aranha em contato com a água, mas também sua capacidade de direcionar a água coletada", afirmam.

A descoberta ajudará no desenvolvimento de fibras fabricáveis capazes de coletar água tanto em lugares úmidos quanto em grandes altitudes, acopladas a aeronaves, por exemplo.

A coleta de orvalho da névoa pode ser feita com redes ou telas esticadas em mastros. A técnica, utilizada na região dos Andes, está sendo incentivada em localidades mais pobres e secas do mundo, como o Nepal, além de lugares que sofrem com o aquecimento global e com secas prolongadas.

Fonte : Folha on line Ciência

Grupo revela como mosquito da malária escolhe alvos

Uma equipe de pesquisadores identificou as proteínas que o mosquito da malária usa para localizar suas vítimas pelo cheiro. O achado abre a possibilidade de criar melhores repelentes ou armadilhas para o inseto transmissor da moléstia.

Outros dois grupos de cientistas acharam uma enzima essencial para penetração das células sanguíneas pelo parasita, que poderá servir de alvo para medicamentos semelhantes usados com sucesso contra o vírus da Aids, o HIV, as drogas inibidoras de protease.


CDC
Anopheles albimanus, transmissor da malária, pica humano; para ele, algumas pessoas têm cheiro mais atraente
Anopheles albimanus, transmissor da malária, pica humano; para ele, algumas pessoas têm cheiro mais atraente

Juntas, as pesquisas oferecem novas estratégias contra a doença, que atinge centenas de milhões de pessoas, tem metade da população do planeta em áreas de risco e causa quase 1 milhão de mortes a cada ano.

Insetos detectam cheiros através de neurônios receptores olfativos. A equipe de John Carlson, da Universidade Yale, EUA, inseriu os genes desses receptores presentes em mosquitos em moscas-das-frutas transgênicas da espécie Drosophila melanogaster com "neurônios vazios", isto é, um neurônio olfativo mutante que não tem o seu receptor próprio.

Dissecação

A pesquisa envolveu um trabalho paciente e delicado, desde a dissecação dos mosquitos para extrair seu DNA até a inserção dos genes nas moscas e a medição dos impulsos elétricos causados pelos odores.

Foram inseridos 72 genes diferentes de mosquitos da espécie Anopheles gambiae, principal transmissor da doença na África, dos quais 50 tornaram-se funcionais.

E cada um deles foi testado com 110 diferentes substâncias odoríferas --gerando um banco de dados de 5.500 combinações de receptores-odores. Também foram feitas comparações com os receptores das moscas-das-frutas.

"Nós identificamos vários compostos que ativam fortemente muitos desses receptores. Estamos também buscando compostos que os inibam", declarou Carlson à Folha.

"Alguns desses compostos ativadores e inibidores podem ser muito úteis para atrair mosquitos a armadilhas, repeli-los ou confundi-los", completou ele, que ressalta: "Desenvolver um produto efetivo vai provavelmente levar vários anos."

No Brasil, o principal transmissor da malária é de outra espécie, o A. darlingi. "É possível que alguns dos resultados do nosso trabalho sejam aplicáveis a outros mosquitos vetores de doenças", diz Carlson.

Sangue doce

Uma das substâncias que provocaram forte ativação foi o indol, presente no suor humano. Já os ésteres e aldeídos não obtiveram muito sucesso com os receptores do mosquito, mas ativaram fortemente os das moscas -algo que se explica pela sua forte presença nos odores exalados por frutas.

"Algumas pessoas parecem ser muito mais atraentes para os mosquitos do que outras, e a base olfativa disso é um foco de estudo empolgante e atual", acrescenta Carlson. Ou seja, para o mosquito, há gente que é "cheiro bom" ou "sangue bom", e há quem é menos.

O estudo de Carlson e mais quatro colegas vai ser publicado em edição futura da revista científica britânica "Nature", mas já está disponível no site da publicação para os assinantes.

Inspiração na Aids

A mesma revista publicou dois artigos de duas equipes distintas de pesquisadores com a descoberta da enzima envolvida na infecção das células vermelhas do sangue pelo parasita da malária.

Uma das equipes é liderada por Alan Cowman, do Instituto de Pesquisa Médica Walter & Eliza Hall (Austrália), e a outra é comandada por Daniel Goldberg, da Universidade Washington em Saint Louis, EUA.

Quando infecta um glóbulo vermelho, o parasita da malária injeta nele centenas de proteínas que ajudam a enganar o sistema de defesa do organismo e modelam a célula humana para suas necessidades.

As duas equipes agora identificaram uma protease --enzima que quebra proteínas-- fundamental para a viabilidade do parasita, a chamada plasmepsina 5.

"Sua identificação como uma enzima crítica para a exportação de proteína provê um importante alvo para o desenvolvimento de novos antimaláricos", escreveram Cowman e colegas.

Eles completam que "inibidores de protease do HIV-1 têm sido tratamentos bem sucedidos no combate ao HIV e, por isso, esses inibidores podem prover uma plataforma para o design de novos compostos antimaláricos."

Fonte: Folha on line ciência